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A SEMANA DA CRIAÇÃO
11 de  setembro de 2020 | Autor : 15 | Fonte : 15

Gesson A. Magalhães

Sobre águas abissais, entre a Terra e os Céus,
Pairava, soberano, o Espírito de Deus.
Escuridão total. A terra inda informe,
De tétrica visão como um monstro que dorme,
Aguardava inconsciente, os eflúvios divinos.
Os olhos divinais, com brilhos diamantinos,
Contemplavam a cena. E vendo, no futuro,
Mesmo através do caos, pelo infinito escuro,
Os mundos aos milhões, num sonho de arquiteto,
Decidiu que o Verbo, o Seu Filho dileto,
Tudo iria criar. E esse sonho perfeito,
Tomou forma, cresceu. Da decisão ao feito
Foi um passo. E o Filho, os braços em cruz,
Contemplou o infinito e bradou: “Haja Luz”!

Num ápice de tempo a luz surgiu, e então,
Os milhares de sóis, em toda a imensidão
Do Universo sem fim, mostraram seu fulgor.
E o Verbo de Deus, numa expressão de Amor,
Os mundos e os sóis resolve organizar,
Cada qual na sua rota, no espaço a girar.
Olhando o Criador para a Terra vazia,
Fez a separação entre a Noite e o Dia.
Contemplou o que fez. Contente e prazenteiro,
Viu que tudo era bom. Foi o dia primeiro.
Cobrindo todo o globo, a água dominava
E o trino Jeová, aquilo contemplava,
Na ânsia de criar e ver tudo perfeito.
À água ordenou e ela, muito a jeito,
Em líquido e vapor, fez a separação
Entre as águas do ar e as águas do chão.
A enorme expansão que nosso globo encerra,
Jeová denominou de Ar e Mar e Terra.
De novo contemplou. E cheio de alegria,
Viu a obra perfeita em seu segundo dia.

Olhando a terra nua a as águas do oceano,
E as fontes e os rios, num ócio rude e insano,
Disse o Verbo Divino: “Apareçam, grandiosas,
A verde relva, a flor e as árvores frondosas,
Que embelezem a Terra e deem nova vida,
E a flor produza fruto e a semente devida.
E a Terra se floriu e ficou verde e linda,
Cheia de grandes matas, de uma beleza infinda.
E o Verbo olhou e viu a obra que fazia,
Tudo perfeito e bom. Foi o terceiro dia.

Deus, porém, percebeu, logo ao amanhecer,
Que a relva e o verdor iriam esmaecer
Se não tivesse, além do orvalho e da argila,
A luz de um grande sol, formando a clorofila,
Além de comandar as várias estações.
E fez o Astro-Rei, o quinto entre os milhões
De outros sóis. Fez a Lua, que iluminando o mundo,
Lindas noites produz. E em Seu poder profundo,
O Excelso Criador, com tal sabedoria,
Contemplou a beleza nesse quarto dia.

Era tudo perfeito. Entretanto, nos ares,
Nenhum ser a voar, e, no fundo dos mares,
Vida alguma se via, por isso, o Senhor,
Ordenou e as águas, à ordem do Criador,
Encheram-se de vida. Logo estavam cheias,
Desde o simples molusco às grande baleias,
E pássaros e aves encheram o ar de cores,
E as matas do gorgeio de suaves cantores.
E o Senhor achou bom. E enquanto tudo ouvia,
No oceano o Sol desceu. Foi esse o quinto dia.

Rompeu o sexto dia. E o Verbo divinal,
Decidiu empreender, antes do seu final,
O epílogo feliz de Sua criação,
Conforme o plano Seu. Com determinação,
Criou os animais em grande quantidade,
O macho e sua fêmea, em tal variedade,
Que a Terra se encheu de a mata criou vida.
Assim, a criação estava definida.

E disse o Criador: “É tudo muito bom,
Mas falta ainda alguém ao qual Eu dê o dom
De tudo dominar daqui para diante,
Alguém que seja aqui, Nosso representante.
Façamos, pois, o homem à Nossa própria imagem,
E sobre os animais possua ele a vantagem
Do arbítrio e da razão. E assim, Deus fabricou
Uma estátua de barro. E quando Ele soprou
O fôlego vital, como uma alma vivente,
Surgiu das mãos de Deus um ser inteligente.
E viu Deus que ele só, não poderia ficar.
Fez, portanto, a mulher e eis o primeiro lar.

E àquele casal Deus entregou o mundo
Que Ele havia criado. E com amor profundo,
Contemplou, comovido, cada coisa boa:
Desde o ser que se arrasta àquele que voa!
 Ao se esconder o sol e vir um novo dia,
O Excelso Criador, Grande em sabedoria,
Resolveu descansar! Mas Deus nunca se cansa!
Ele queria dar, tal qual a uma criança,
A força do exemplo. E aquele frágil ser
Deveria, pra sempre, assim também fazer.
Pra esquecer as fadigas, pra acalmar a mente,
Para louvar a Deus, o Ser onipotente.

O sábado é, assim, um dia especial,
Que visa ao nosso bem e ajuda contra o mal.
Por isso, o separou, em santificação,
Como um memorial de Sua criação.
Porto Velho, 1982
Gesson A. Magalhães
 

ACLER - Academia de Letras de Rondônia
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