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Madeira-Mamoré: um patrimônio em ruínas
4 de  março de 2015 | Autor : 10 | Fonte : 10

Por Dante Ribeiro da Fonseca

Tenho acompanhado desde o ano passado a triste realidade do que restou do patrimônio da ferrovia Madeira-Mamoré. Vou repetir aqui as palavras do jornalista Carlos Chagas: no Brasil o dia seguinte pode ser bem pior que o anterior. A ferrovia foi desativada no início dos anos setenta, juntamente com outras ferrovias brasileiras. Mas no início dos anos oitenta um grande seminário promovido pelo SPAHN e realizado em meio a grande entusiasmo, indicou os rumos de sua reativação. No governo do inesquecível governador Jorge Teixeira de Oliveira o que restou da ferrovia foi restaurado e colocado a funcionar para finalidades turísticas. De lá para cá somente temos visto uma cruel e lenta decadência desse patrimônio que ações epiléticas e inacabadas não conseguiram conter. Incapacidade e descaso somados são poucas das qualidades que podemos evocar para descrever aqueles responsáveis por esse patrimônio que, juntamente com o Forte Príncipe da Beira, é um dos mais importantes do nosso estado. Nossos dois mais representativos patrimônios estão em condições desiguais, o Forte, mais antigo e sob a guarda da 17ª. BIS está protegido, os dois pátios da Madeira-Mamoré, mais novos, estão em condições relativamente muito piores. Parece que em pouco nada deles restará. Guardadas as devidas proporções de antiguidade, esses patrimônio constituem o cerne de nossa identidade rondoniense, são para nós como as pirâmides para os egípcios. Imaginem vocês se o governo francês permitir que o Palácio do Louvre fique no estado em que está a Madeira-Mamoré? Certamente a reação do povo seria outra.

Publicado no jornal O Alto Madeira de 22/02/2015

Dante Ribeiro da Fonseca
 

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